O POETA & O PEDREIRO
Os tijolos com cimento fresco representam pão com manteiga.
Vontade de afagar os cabelos ao vento da mulher e abraçá-la meiga.
E ela diz que quer:
Um pedreiro lindo com alma de poeta luzindo.
Ser bem vista pelos vizinhos, se despindo com a janela aberta.
Um homem que a proteja com sua força física e um que saiba perdoar as suas atitudes ingênuas, indiscretas.
Um homem forte, sensível, inteligente, atleta.
Ser uma nua poesia concreta.
Ela continua:
Eu quero um homem que erga bela minha casa e um que se inspire na musa nos cantos dela.
Um homem que tenha calos nas mãos e um que saiba retirá-los na hora certa de me acariciar.
Um homem que me ame na areia molhada e um que me leve para viajar na lua inspirada.
Um homem que me agarre com arroubos de britadeira e um que decore/devore meu corpo inteiro com o chantily da geladeira.
Sabe o que aconteceu?
O pedreiro se fez marceneiro, construiu um armário e dentro se escondeu!
O poeta fantasticamente entornou a tinta da caneta tinteiro e, antes de morrer de amor, sentimentalóide, ainda declamou poemas inteiros seus!
E a mulher
E a musa concreta ficou
Ficou de se arrumar para sair
Com a manteiga e o pão
Com amante e garanhão!!!